Dicas imperdíveis de Canela -Rs por Marcel Bezerra

 Marcel Bezerra, jornalista Fortaleza-ce ( 28.10.2010)
 Quero frisar logo que este relato está sendo escrito sob influência das cervejas DaDoBier Weiss (belga), Norteña Uruguaia, Eisenbahn escura, Serramalte e Brahma Extra, complementadas por umas Skol latinhas do frigobar aqui do quarto do hotel. Porque, vocês concordarão comigo, trabalhar de boca seca é osso…

A nossa quinta-feira foi quase toda dedicada a Canela, a 6km de Gramado. Alugamos o novo Uno do Vandré, indicado pelo Edmílson e pela Cássia. Gente boa, ele cobrou os mesmos R$ 80 médios das locadoras por diária, com limite de 100km por dia, mas geralmente não se roda mais que isso, a menos que você queira ir pra Caxias do Sul ou Carlos Barbosa. Mas, nesses casos, o city tour da uva e do vinho cumpre a função bem. Ah, e como a gente vai entregar o carro no sábado às 1h, ele deixou pelos R$ 220.

CASTELINHO CARACOL – CANELA

Logo na chegada da cidade, à esquerda você entra logo para as principais atrações canelenses. Sinalização turística perfeita em todos os lugares que você visita, não tem como se perder. Antes da rótula (que no CE a gente chama rotatória), a placa aponta logo, se não me engano, Parque do Caracol, Teleférico, Parque da Ferradura, à esquerda.

Inicialmente a gente ia pra esses lugares, mas antes a Lara lembrou que teríamos de ir ao Castelinho Caracol. De pronto refutei, mas ela insistiu e a gente foi, o que acabou sendo um dos mais interessantes pontos do passeio.

O Castelinho Caracol hoje é um museu e casa de chá. Pertence à família Franzen, e “foi a casa de infância de Irene, Anita, Fernando, João Alfredo, Cora e Ivone, filhos de Carlos Franzen e Luiza Sommer Franzen”. A construção, toda em madeira de araucária, foi feita com encaixes e parafusos, sem pregos. Legal, né? Data de 1913. Em 1985, foi transformada em museu pra perpetuar o estilo de vida da família, de origem alemã. Eles estiveram entre os pioneiros do povoamento local, tanto que o Franzen era dono de várias extensões de terra na região.


O Carlos Franzen era serreiro, mas com consciência ambiental. Ele só cortava a madeira necessária. Pra construir a casa, a moça lá informou que ele cortou toda a madeira, colocou na água do arroio (que eu acho que a gente conhece por riacho) Caracol, por trás da casa durante seis meses, e tirou pra deixar secar por mais seis meses.

A casa é incrivelmente bem conservada, incluindo toda a decoração, móveis, talheres, pratos, um fogão de 1915 a lenha (ainda hoje sendo utilizado), roupas, quadros com fotos da família, instrumentos, de trabalho do Franzen, telefones, berços, carrinhos de bebê, panelas, máquinas de costura, enfim, tudo, numa riqueza de detalhes impressionante.

Pra entrar no Castelinho custa R$ 6 por pessoa. Lá você ainda pode comprar e saborear ainda um strudel de maçã que, só pelo jeito que a mulher mostrou pra gente, bem quentinho, dá vontade de meter as caras. Só não comemos porque havíamos acabado de tomar café no hotel. Fizemos várias fotos na área externa, onde conhecemos também a serraria e a primeira casa onde eles moraram, que ficava do outro lado da pista e a família desmontou e trouxe pro terreno onde fica o castelinho.

Da família, a Irene morou na casa até meados dos anos 1980, não sei se até morrer. Mas hoje ainda tem viva a Cora. Também não perguntei se há outros filhos ainda vivos.

PARQUE DO CARACOL

Da casa dos Franzen fomos ao Parque do Caracol, responsável por boa parte do nosso cansaço do dia. O parque é enorme e tem como principais atrativos a belíssima cascata e as trilhas. Pra entrar custa R$ 10 por pessoa. Lá tem centro de artesanato, mirantes, restaurante, centro ambiental, uma estaçãozinha férrea pra criança e o observatório ecológico.

De fato, esse observatório ecológico (subida de elevador) é o melhor pra se apreciar a cascata, mas o mirante do próprio parque cumpre bem a função e é de graça. Pagamos R$ 7 cada pra ir no observatório ecológico, promoção, mas o preço normal é R$ 14 por pessoa, por isso não é recomendável. Lá em cima tem souvernirs pra você comprar e é todo cercado por vidro.

Depois dos mirantes você tem a opção de seguir pelas trilhas ou descer uma escadaria chibata de mais de 700 degraus e vai até o pé da queda d`água lá embaixo no cânion. Pensamos bem (você tem que estar muito bem preparado e não ser coronariano) e decidimos seguir pela trilha do arroio, que tem 1.100 metros e é perfeita. Você vai até diversos pontos do curso d`água e a represa antes da cascata, dá a volta no parque todo e depois vaza. Agora, lá é muito bonito, não se pode perder.

TELEFÉRICO

Saindo de lá, mais uns 500 metros e você chega ao teleférico, de onde também é possível apreciar a cascata do parque do Caracol de outros ângulos, mais de frente na verdade. R$ 18 por pessoa. O equipamento tem um extensão total de 830 metros (vai lá em cimão), com 34 cadeirinhas, sendo 19 para duas pessoas e 15 para uma pessoa. A volta dura aproximadamente 20 minutos em uma velocidade de 3,30 Km/h.





PARQUE DA FERRADURA

Visão do mirante do Vale da Ferradura

A preguiça já dava os primeiros sinais e pensamos em não ir pro Parque da Ferradura. Mais alguns quilômetros adiante e você paga R$ 8 por pessoa pra adentrar ao local, onde há um cânion no formato de ferradura (claro!) com 400 metros de profundidade. Lá terminei de me acabar fisicamente.


Depois do belvedere, você pega umas trilhazinhas rápidas pra outros mirantes de onde vê o mesmo cânion de ângulos diferentes. Tem umas outras trilhas, como a do rio Cai, que dura cerca de uma hora, mas nem pensar. Fomos, já com a graça de Deus, aos mirantes do Vale do Arroio Caçador, da Cascata do Ar Caçador, e depois o mirante do Vale da Ferradura, que é mais perto da entrada. No caminho uma família de pernambucanos residentes em Natal parecia querer matar uma senhora, mãe da mulher lá, levando a velha nas trilhas complicadas pra uma pessoa idosa como ela.

ALPEN PARK E ESTAÇÃO VERDE

Estrupiados pela intensa programação da manhã, almoçamos no Dalla, um self-servicezinho de comida boa (R$ 27 o kg) no Centro de Canela, atravessamos a cidade em direção ao tão falado Alpen Park. Talvez influenciados pela jumentice do Beach Park, achamos acanhado o parque, que, não sei por que razão, cobra R$ 5 de estacionamento. Mas tudo bem.

As atrações do Alpen Park são as seguintes; Cinema 4D (fomos e foi legal, um filminho de 20 minutos, R$ 17 por pessoa, só mesmo pra você saber como é), O Mistério da Monga (não fomos), Ecoturismo a cavalo (também não), Quadriciclo (o mais barato é R$ 90, no Ceará tem e é muito e mais barato nas praias, esquece), Escalada, arvorismo e rapel (também não fomos). A Lara foi numa tirolesa de uns cento e poucos metros, pagou R$ 22 e gostou. Só que no parque vizinho, o Estação Verde (que fica antes do Alpen), a tirolesa é mais cara mas é muito melhor, com mais de 400 metros e você vai na horizontal como se estivesse voando. Ficamos sabendo depois, mas já era tarde. Custa, se não me engano, R$ 32, e certamente compensa.

O que mais gostei nesse Alpen Park foi o passeio de trenó. A Lara foi no meio das minhas pernas e quase me deixou estéril (só então entendi o que o Edmilson queria dizer). Muita adrenalina. Custa R$ 14 por pessoa e é rapidin, mas a velocidade recompensa o investimento.

Na volta fomos ao Estação Verde, que é ainda mais acanhado que o Alpen Park. De destaque lá mesmo só o rally nuns jipinhos miniatura do Land Rover e do Hummer que você tem direito a dar 5 voltinhas, a tirolesa da qual já falei e os minibichos, que não paga nada pra ver. Os bichos são anões lá, nas fotos vocês podem ver. Legal ver um mini touro de 6 anos e os “pequenos pôneis”, pras crianças.

Na volta inventamos de dar uma planejada na programação e tomamos duas Heineken 600 ml no Centro de Canela. Passamos na BlackBull, loja cara bagarai e não deu tempo de ir no Mundo a Vapor em Canela nem na Aldeia do Papai Noel em Gramado, programas que fizemos na quinta.

C’EST MIEUX – SEQUÊNCIA DE FONDUE

Lara ficou bem espertinha em barganhar preços e regalias junto a restaurantes em Gramado. À noite, o Doblô do C’Est Mieux de la Fondue foi nos buscar para a tão aguardada sequência de fondue. Fizeram mais barato que pro pessoal de um hotel que tem parceria com eles (R$ 35 por pessoa) e ainda nos brindaram com uma garrafinha de vinho na saída. Complementamos o cardápio com uma garrafa de Salton Cabernet Sauvignon safra 2009 que tava em promoção a R$ 26.

As dicas pra comer o fondue são simples. São três remessas. Na primeira, queijo derretido, pães adormecidos, batatas cozidas, polentas fritas. Não coma muito nessa etapa e apresse logo as carnes (avestruz, filet mignon, frango e lombinho) na pedra com os bem 15 tipos de molho. Mas guarde espaço no bucho pra o fondue de chocolate com pedaços de morango, mamão, melão, abacaxi, uva e maçã. Lá o pessoal atende bem e lhe ensina direitinho como comer o negócio. A conta deu uns R$ 112, dinheiro bem gasto, porque ainda teve R$ 3 de couvert prum esforçado que cantava MPB lá. O ambiente é aconchegante e a iluminação o deixa intimista.


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